Meu novo cristianismo

Algumas pessoas me perguntam se sei aonde quero chegar. Respondo que estou mais certo dos caminhos que evito trilhar. Recuso-me acalentar cinismos em meu coração; fujo de tornar-me inconseqüente em declarações que possa fazer a respeito de Deus e da fé; tenho medo de perpetuar uma espiritualidade desconectada da vida.
Reconheço que acalento algumas intuições ainda muito verdes. Mas elas já fazem algum sentido para mim.
1. Não consigo mais acreditar que Deus viva inativo e que só as preces oriundas de uma espiritualidade “verdadeira” consigam movê-lo. 2. Não consigo mais acreditar que Deus opere milagres, premiando uns poucos enquanto deixa “correrem frouxos”, os exércitos que matam, as multinacionais que lucram com remédios que poderiam salvar vidas e os governos corruptos que atolam os mais pobres numa abjeta miséria. 3. Não consigo mais acreditar que Deus, mantendo o controle absoluto de tudo o que acontece no universo, esteja envolvido com Aushwitz, Ruanda, Darfur, Iraque e com outras hecatombes humanas. Não aceito mais que ele, parecido com um tapeceiro, precise dar nós aparentemente malditos na história - que não entendemos - enquanto, do outro lado, faz tudo perfeito para conduzir a humanidade a seu glorioso fim. Qual o propósito de Deus ao “permitir” que uma menina fique paraplégica com uma bala perdida?4. Não consigo mais acreditar que a função primordial da religião seja acessar o sobrenatural para tornar a vida mais leve. Os cristãos, em sua grande maioria, tentam fazer da religião um meio de controlar o futuro; praticam uma fé preventiva, pois aceitam como verdade que os verdadeiros adoradores conseguem se antecipar aos percalços da vida; afirmam que os ungidos sabem prever e anular possíveis acidentes, doenças, ou quaisquer outros problemas existenciais do futuro. 5. Não consigo mais acreditar que o cosmo esteja sincronizado como um relógio e que não caiba qualquer aleatoriedade no universo. Creio que no meio do caminho entre o determinismo e a absoluta casualidade esteja o arbítrio humano, que somado às interpelações divinas, pode construir o futuro.
Em março de 2007, celebrei 25 anos como pastor da igreja Betesda. Sou seu líder desde que ela engatinhou em Fortaleza. Depois de tanto tempo, reconheço que assusto com minha teimosia de querer entender o que signfica ser uma “metamorfose ambulante”.
Já vislumbro meu jubileu de ouro. Por isso, alimento meu coração de entusiasmo. Estou grávido de expectativas com minhas resignificações da fé.
Soli Deo Gloria।
Ricardo Gondim

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