A reinvenção da maternidade

Diante de Deus estavam os dois seres humanos, e um terceiro ser, um tipo híbrido, indefinido e mau। Toda a criação estava atenta: aquele poderia ser o fim de tudo, porque aquele ser maligno e totalmente descaracterizado, acabara de atrair o casal humano para a sua rebelião। Anjos e anciãos e seres viventes sabiam o que isso poderia significar: toda a criação estava pendurada no casal humano, ele era o ápice, a imagem de Deus… e o casal o traiu. E agora Deus poderia expulsar o casal de si, e junto com o casal iria toda a criação, e isso seria a inexistência, porque nada existe fora de Deus. O destino de todos estava por um fio. E Deus reinventou a maternidade! Voltou-se ao ser sem identidade e, apontando para a mulher lhe disse: A semente dela lhe ferirá a cabeça. Era uma promessa de salvação, todos os seres expectantes respiraram aliviados, o Altissimo decidira salvar a sua imagem: a raça humana! E, com ela, toda a criação. E a mulher se tornou a mais importante das criaturas, doravante todos, em toda a imensidão da criação a observariam, ela algum dia em algum lugar carregaria no ventre a salvação de todos. Todos a observariam com carinho: seu filho salvaria o mundo para Deus. Ninguém dos observadores conseguia entender direito o que havia acontecido, mas todos sorriram para a mulher. A paz nasceria num ventre seu.
Ariovaldo Ramos

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